Heróis e Mártires
A história do Sudeste do Pará é marcada pela força e resistência de inúmeros heróis e mártires que dedicaram suas vidas à luta pela terra e pela justiça social. Lideranças camponesas, defensores ambientais, militantes de movimentos sociais e membros de povos e comunidades tradicionais enfrentaram conflitos intensos, violência e profundas desigualdades impostas por interesses econômicos e racismo. Muitos desses heróis tiveram suas trajetórias interrompidas, tornando-se símbolos de coragem e de compromisso com a defesa dos direitos humanos, do meio ambiente e da proteção dos territórios.
Entre os povos indígenas, essa luta é ainda mais antiga e profundamente ligada à sobrevivência física, cultural e espiritual, desde a época do contato. No Sudeste do Pará, diversos povos resistiram ao avanço da colonização, à exploração predatória e às sucessivas tentativas de violação de seus territórios. Seus guardiões, muitas vezes anônimos e pouco conhecidos da sociedade, se tornaram referência na defesa da floresta e da memória coletiva. A herança desses heróis e mártires permanece viva na organização comunitária, na mobilização dos movimentos sociais e na determinação contínua em assegurar um futuro digno para as próximas gerações.
A história de cada um deles deve ser conhecida por todos para inspirar as novas gerações e conhecer um pouco da história do Sudeste do Pará. Os materiais selecionados de cada herói traz uma dimensão da vida de cada um deles.
Felipe Maria Aranha (1720 -1780,) - liderança do quilombo Mola e da Confederação do Itapocu, Cametá
Mussená Suruí (?-1960) - liderança Aikewara da época do contato
Zé Yté Kayapó - liderança e pajé Kayapó
Bepkororoti Kayapó (Paulinho Paiakãn) - liderança Kayapó
Tuíre Kayapó - liderança e guerreira Kayapó
Hôpryre Ronore Jopikti Payaré (Mamãe Grande) - liderança do povo Akrâtikategê
Kokrenum Jopaipaiaré Topramre - Liderança do povo Parakategê
Hôpryre Ronore Jopikti Payaré - Liderança do povo Akrâtikategê
Beptok Onça - liderança do povo Xikrin do Bacajá
BepKaroti Xikrin (avô) - líder do contato do povo Xikrin do Catete
Bemoti Xikrin - liderança do povo Xikrin do Catete
Botie Xikrin - liderança do povo Xikrin do Catete
Bepkaroti Xikrin (neto) - liderança do povo Xikrin do Catete
Manoel Guarani - liderança do povo Guarani M´bya de Nova Jacundá
Zé Claudio e Maria do Espirito Santo
Paulo e José Canuto de Oliveira
José Gomes (Zé do Lago), Márcia Nunes Lisboa e Joene Nunes Lisboa - ambientalistas de São Félix do Xingu
envie a sugestão de mais pessoas que devem compor essa galeria!
Em oposição a vida desses heróis e mártires que viveram e lutaram por suas crenças e em prol de suas comunidades, existem pessoas que em sua vida desempenharam papel antagônico atuando com violência contra eles. Esses criminosos também devem ser lembrados, como forma de não esquecer as atrocidades que cometeram para que não se repitam.
família Mutran – família de latifundiários e políticos da época da castanha, somaram atividades relacionadas a violência no campo e ao trabalho escravo, com vários latifúndios nos municípios da região do Sudeste do Pará.
Daniel Dantas 1,2 - político e empresário dono do grupo Agropecuária Santa Bárbara relacionado ao trabalho escravo e desmatamento ilegal.
Família Quagliato1 –2, grupo rio Vermelho, da família Quagliato, com atuação em Xinguara, relacionado ao trabalho escravo, grilagem de terras e desmatamento ilegal.
Sebastião da Terezona – pistoleiro
José Rodrigues – mandante do assassinato de Zé Cláudio e Maria do Espirito Santo.
Décio José Barroro Nunes (Delsão), mandante do assassintado de José Dutra da Costa e grileiro de terras
Regivaldo Pereira Galvão e Vitalmiro Bastos de Moura (Bida) – mandantes da morte de Irmã Doroth
Major Curió - agente do estado durante a ditadura que persegui os guerrilheiros do Araguaia e depois comandou o garimpo de Serra Pelada
Coronel Pantoja - coordenou o massacre na curva do S em Eldorado dos Carajás que resultou na morte de 20 pessoas
Almir de morais - castanheiro que tomou parte das terras do povo Aikewara na década de 1960
Por sua atuação, há empresas e empreendimentos que tem gerado muitos conflitos socioambientais na região, com destaque para:
- Vale S.A. - mineradora privatizada em 1997 durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, é a maior empresa que atua na região do Sudeste do Pará, com minas de Ferro, Cobre, Ouro e Níquel, e infraestrutura associada como a estrada de ferro Carajás 1.2. Sua atuação está relacionada a poluição do rio Catete e do povo Xikrin, desmatamento, conflitos com o povo Gavião da TI Mãe Maria pela estrada de Ferro Carajás, conflitos com pequenos agricultores e assentados, entre outros.
- DNIT - autarquia federal que atua nas estradas, ferrovias e hidrovias do país, possui sob sua responsabilidade obras que tiveram grandes impactos nas comunidades da região que nunca foram mitigados ou compensados, como as rodovias transamazônicas (BR230) e a rodovia Belem-Brasília (BR153). É a principal organização por trás do projeto da hidrovia Araguaia-Tocantins que irá alterar a dinâmica do rio Araguaia e Tocantins, com vários outras consequências decorrentes.
- Eletronorte e Hidrelétrica de Tucuruí - inaugurada em 1984, a hidrelétrica de Tucuruí expulsou o povo Gavião Akrâtikategê de seu território tradicional, inundou áreas do povo Parakanã e impactou o povo Assurini. Além disso desalojou cerca de 32 mil pessoas dos municípios de Tucuruí, Breu Branco, Goianésia do Pará, Jacundá, Nova Ipixuna, Novo Repartimento e Marabá, inundando as cidades de Jacundá, vila de Breu Branco, povoado de Jacupiranga e Ipixuna.
- Belo Monte
- Volskswagen - foi condenada no ano de 2025 pela justiça do trabalho a pagar R$ 165 milhões por trabalho escravo na Fazenda Vale do Cristalino em Santana do Araguaia (PA), um latifúndio que ganhou da ditadura militar, entre 1974 e 1986.
- Pagrisa S.A. (Pará Pastoral Agrícola) - fazenda de cana-de-açúcar e usina estabelecida no município de Ulianópolis, onde ocorreu o maior resgate de trabalho escravo no Brasil de 1.108 trabalhadores pela justiça do trabalho.
-Brasil Biofuels - conflito envolvendo empresa de dendê no vale do Acará-Açu, com registro de poluição Ambiental, invasão de territórios tradicionais, violência contra Indígenas e Quilombolas
- Hydro (Ex Alunorte-Vale) - mineradora com minas em Paragominas e estrutura em Barcarena que promoveu grande vazamento de rejeitos em 2018 no rio Murucupi, além de conflitos com comunidades quilombolas ao longo de seu minérioduto.
